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segunda-feira, 16 de junho de 2008

Carta a D.

Ontem, li o livro de André Gorz. Confesso que fiquei entre o encantamento e a esperança. Um daqueles textos, que é marcado por uma intensidade, e mexe às visceras. A casa não era o mais importante nesta história de amor, mas revala-se fundamental na concretização do projeto comum... O viver num determinado local, remete às sociabilidades possíveis e também onde re-criamos-continuamente. Num determinado momento ele diz: "Até então, havíamos vivido na pobreza, mas não na feiúra. Descobrimos que se é mais pobre na Rue de Santi- Maur do que em Saint-Germain-des-Prés, mesmo ganhando mais." Ou ainda, quando diz que depois da visita a Harvard, influenciado por Illich que "legitimava nossa necessidade de expandir nosso espaço de autonomia, não de pensá-lo com necessidade privada. Provavelmente ele desempenhou um papel no nosso projeto de construir uma casa de verdade". (GORZ, 2008)



sexta-feira, 13 de junho de 2008

Conversando com Laurinha

A Laurinha tem um blog -super massa, como dizem minhas crias. E numa consulta informal, acerca dos livros, ela passou umas dicas super legais, acessíveis e criativas. Depois de ler o post que ela, delicadamente respondeu (e com uma rapidez -invejável), me lembrei de um que não sai da minha cabeceira: "Biblioteca à noite" do Alberto Manguel que foi publicado pela companhia das letras em 2006. Eu, particularmente, entrego-me aos seus texto. Logo no início o autor, traduz uma sensação que experimentei, desde sempre:
"As bibliotecas -as minhas ou aquelas que compartilhei com um público mais amplo de leitores- sempre me pareceram lugares agradavelmente insensatos, e, até onde consigo lembrar, sempre me seduziu a lógica labiríntica pela qual a razão (não a arte) parecia imperar sobre um conjunto cacôfonico de livros. Sinto um prazer aventuresco em me perder entre as estantes carregadas, confiando superticiosamente que alguma hierarquia de letras e números, há de me conduzir, um dia, ao destino prometido".
Eu não tenho uma biblioteca, ainda... mas na minha casa tem um "conjunto cacôfonico de livros". Embora eu tenha muito ciùmes -de todos os livros e sinta um nó nas entranhas quando os perco de vista- empresto-os (confesso que é muito raro). Para mim, cada livro tem uma história (assim como as minhas tatuagens) e deixei de comprar sapatos (que amo); fazer viagens (que sonho) e recauchutar o saphe (se tivesse coragem de levantar o seio e eliminar a panceta com um lipo).... blá...blá . Isto porque priorizei as viagens mentais, ainda que nem sempre sejam saudáveis.
Bem, depois que descobri a física quântica fiquei mais aliviada em saber que o caos é o princípio da ordem.

sábado, 7 de junho de 2008

Sobre amigos

Como sempre, caminho aos sábados com minha amiga, que se fez presente depois de tantos- descaminhos. As voltas pelo parque, são permeadas pelas narrativas biograficas que (também) escrevemos nas nossas cozinhas. E entre frivolidades, catarses, "bobices" resignificamos nossa existência, sem nenhuma pretensão. Falamos de nós, rimos, revemos idéias e falamos dos outros, claro! Esta amiga, está sendo um grande presente que saiu dos antigos guardados e, constantemente me ajuda a racionalizar, objetivar e sistematizar a vida (em todas suas expressões).
Minha amiga está se reinventando, também. Jogou os cacos fora, limpou a dispensa, rasgou fotos, limpou os armários e, cuidadosamente, busca construir a identidade da nova casa. Super bacana a casa nova, que está sendo gerada... mas já tem cores.
Tenho pensado muito nas casas e o que as transforma em um lar. Mais uma vez, Botton (2007) traduz as minhas sensações "nosso amor pelo lar é, por sua vez, um reconhecimento do quanto nossa identidade é autodeterminada. Precisamos de um lar no sentido psicoloógico tanto quanto no físico: para compensar a vulnerabilidade. Precisamos de um refúgio para proteger nossos estados mentais, por que o mundo em grande parte se opões às nossas convicções. Precisamos que nossos quartos nos alinhem com versões desejaveis de nós mesmos e mantenham vivos nossos aspectos importantes e evanescentes".
E hoje, estou pensando na casa dela...



By: Jessica, a graphic designer and Alex, a packaging engineer
By: Anne Faith Nicholls & Jacob Arden McClure


Idéias cooptadas no site da Marie Claire Maison, não sei se é viável na vida real. Mas é bem exibidinha esta sala, achei super!


Esta foto, fuxiquei num blog mas é do site da "fazenda da Lagoa" conferme foi referido. Parece a estante da Mari. Adorei, ambas!













quinta-feira, 5 de junho de 2008

Reaproveitando


Mini-armário de cozinha. Materiais: latas de tinta, madeira reaproveitada, e.v.a., linha de pedreiro, tinta esmalte.

Diretamente do http://ateliedolixo.blogspot.com/ de Usha Velasco

Focando

http://www.allfreecrafts.com apresenta esta disposiçãode fotos e pinturas. Que me fez pensar:
"Dependemos do que está a nossa volta obliquamente para personificar os estados de espíritos e as idéias que respeitamos e, então, nos lembrar deles. [...] Colocamos ao nosso redor formas materiais que nos comunicam aquilo que precisamos interiormente - mas estamos sempre correndo o risco de esquecer." A. Botton.



Minha identidade, está nas paredes que não me deixam esquecer



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Meu avõ, foi fotógrafo (entre outras -tantas- coisas). Algumas de suas fotos,abrigam minhas paredes.



E minha mãe, pelos olhos do seu pai!

Ainda sobre sobras

Quando começo uma mudança, reinvento meus móveis ou busco os quartos de despejo da família. Adoro coisas que trazem histórias.
E assim, começou minha nova casa, da tia Vera veio tapete arraiolo e a bancada projetada,nos anos 70, pelo meu tio (que é arquiteto). Saiu da garagem, ganhou uma boa encerada e voltou para as fotos de família.




Uma parte do estrado!

Uma foto panorâmica do tapete!


Quarto de despejo


Sempre adorei mexer com tinta, tesoura, papeis, tecidos e tudo que eu possa desmontar(ou destruir?). Nem sempre, ou na maioria das vezes, eu acerto "a mão". Quando me mudei, para este apartamento, comecei a destruição.

Faltava uma mesa de canto, para colocar as "tranqueiras" (e o porta controle remoto que minha mãe fez) que não posso abrir mão. Queria algo rústico e barato.

Numa peregrinação pelo centro da cidade, cheguei a uma rua de móveis usados. Encontrei uma mesa de pinus, que custou R$40,00. Pedi para diminuir os pés e passei betume para escurecer. A minha idéia era deixa-la rústica, com marcas do tempo. Então, uso apenas cera na manutenção. Eu particularmente, adoro!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

A casa dá sinais


"A casa dá sinais de gostar do vazio. Ela se reorganiza depois da noite, limpando seus pulmões e estalando as juntas. Esta criatura digna e amadurecida, com suas veias de cobre e pés de madeira aninhados numa camada de argila, suportou muita coisa: bolas lançadas contra as laterais do seu jardim, portas batidas com raiva, tentativas de plantar bananeira ao longo dos seus corredores. o peso e os ruidos de equipamentos elétricos e encanadores inexperientes sondando suas visceras. Uma família de quatro pessoas, acompanhada por uma colonia de formigas ao redor das fundações e, na primavera, ninhadas de tordos nas chaminés.. Na prtateleira sobr a janela, um jarro de vidro com centáureas ajuda a resistir á atraçãoo da melâncolia." Alain de Botton (2007)
De certa maneira, minha "casa é a guardiã da identidade". Os vazinhos de suculentas na janela da cozinha (que já tinha histórias quando cheguei), as estantes bagunçadas devido à pressa, livros fora de lugar por serem usados à exaustão, tapetes que acalentam os tacos gelados no inverno, o banheiro cheio brincadeiras, as portas cheias de bolsas, moveis herdados que contaram a história da minha infância. As coisas que virão e aquelas que estiveram...
Definitivamente, me reconheço na minha casa cheia de suculentas e cactus que não exigem tantos cuidados e mesmo assim, resitem (a mim, a nós e aos visitantes)

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quinta-feira, 29 de maio de 2008

Aproveitando os espaços improváveis!




Em busca de soluções práticas, encontrei estas idéias na Marie Claire Maison... Ainda não me inspirei para colocar a mão na massa, mas já fiz alguns usos desses espaços.

Bibliografia(s)

  • BOTTO, A. Arquitetura de Felicidade. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.
  • BOTTON, A. Nos minimos detalhes. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.

Alguns títulos que que me fizeram pensar...

  • http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000231.pdf